Deficiência causa pobreza à família e à sociedade em que se insere



Um dos tópicos que achamos mais relevantes relaciona-se com a pobreza associada à deficiência. Falamos de pessoas com custos acrescidos, devido a uma sociedade não aberta à diferença e, ao mesmo tempo, com menos possibilidades de arranjar emprego.

Os subsídios mensais vitalícios para alguém com mais de 24 anos são de 176,76€, valor com o qual todos sabemos não ser possível viver neste país.


“Estima-se que um agregado familiar que tenha uma pessoa com deficiência tenha um custo adicional por ano de 5.100€ a 26.300€" (Referência , Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra).


Uma vez que as pessoas com deficiência têm menos oportunidades de trabalho e de serem financeiramente autónomas, necessitam que o estado/contribuintes/estado social exista e lhes dê formas de sobrevivência. Se as estruturas empresariais funcionarem de forma efetiva e inclusiva, estes apoios não são necessários e estas pessoas conseguem viver e serem cidadãos ativos como qualquer outro, sem dependências financeiras.


Postos à margem da sociedade e da comunidade onde vivem, muitas vezes escondidos por vergonha, sem igualdade de oportunidades e sem perspetivas de poderem ter uma vida ativa e produtiva, a situação de uma pessoa com deficiência é difícil e problemática, mas o problema recai sobre todos nós. Queremos uma sociedade de pessoas sem independência? De pessoas cuja realização pessoal e familiar é apenas um sonho?

Para além de tudo isto, há que pensar que a criança cresce, torna-se adulto e torna-se cada vez mais parte de uma sociedade na qual tem o direito e dever de contribuir como indivíduo que é. Deverá ter um papel ativo na sociedade, enquadrando-se num posto de trabalho com o qual se identifique, por forma a estar menos dependente do estado e dos demais trabalhadores contribuintes, que no fundo é o que acontece quando as entidades empregadoras se recusam a incluir pessoas com deficiência no seu leque de trabalhadores.


Como já exploramos anteriormente neste artigo, apesar dos vários apoios que promovem a inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho, as estatísticas não são animadoras. Na maioria dos países industrializados a taxa de desemprego entre as pessoas com deficiência é o dobro da das pessoas sem deficiência. A deficiência está inerente a um ciclo vicioso difícil de quebrar, pois cada um de nós e a sociedade em geral, não a aceita, exclui e discrimina (Relatório Mundial sobre a Deficiência 2012). Desta forma é fácil entender que a probabilidade de uma pessoa com deficiência viver em situações de pobreza e precariedade é muito maior do que uma pessoa sem deficiência.


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